top of page

PSICANÁLISE E BABY BOOMERS

  • cecilialeitecosta
  • 16 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

O século XX foi marcado por duas guerras e profundas transformações sociais decorrentes do processo de industrialização que, ao longo de três séculos, mudou de mãos o dinheiro, poder e status social. Aristocratas falidos deram vez especialmente a banqueiros e empresários (donos indústrias) que instituíram uma nova casta social (burguesa) mandatória da pauta de referências que passou a orientar valores, gostos e costumes[1]. Sem entrar em detalhes, o ápice dessas mudanças produziu um início de séc XX (final Da Belle Époche) marcado por um boom na diversidade até o período entre guerras. Channel, Collete, Salomé, Virginia Wolf dentre outras, deram voz a novos estilos e a liberdade feminina. A Alemanha viveu um boom transexual no período que antecedeu à ascensão de Hittler. A adolescência, por sua vez, encontrava voz na medicina, arte e literatura e passava a ser “naturalmente associada” à rebeldia, transgressão e necessidade de liberdade[2]. Os jovens desse período são os pais da geração pós-guerras. Eles vêm de uma época “cinza”, desesperançada e são conhecidos como a geração silenciosa. Seus filhos, contudo, a geração dos Baby-boomers[3], vivem uma atmosfera de euforia e esperança. Os “boomers” recebem esse nome por terem nascido em uma época de explosão demográfica. Havia muito crédito e eles representam uma geração que, em outra versão, vive a necessidade de expansão, liberdade sexual e igualdade social (protestos contra a Guerra do Vietnã e revolução de costumes -crítica à repressão sexual: queima de sutiãs, bandeiras de amor livre)[4]. A geração X (dos 1965-80) vive, em parte, as consequências da euforia anterior. Já não há trabalho abundante e essa é a geração associada aos valores do individualismo: ambição e dependência do trabalho (daí vem o termo workaholic)[5]. Esse breve panorama visa uma rápida pincelada nas transformações sócio-culturais que são pano de fundo das novas subjetividades e distúrbios emocionais dos anos 80 em diante[6].

Continua no próximo Post

[1] Elias, Norbert. O processo civilizador. [2] Savage, John. 2007. Teenage: The Creation of the Youth. https://www.amazon.com/Teenage-Creation-Culture-Jon-Savage/dp/0670038377. 19Th April, 2007. [3] “(…) Em termos geracionais, os baby boomers eram mais ricos, mais ativos, mais fisicamente em forma do que quaisquer gerações precedentes e eram o primeiros a crescer com a expectativa genuína de um mundo em aperfeiçoamento. Eles também foram a geração que alcançou altos níveis salariais e pôde, dessa forma, usufruir dos benefícios de alimentação, vestimenta, aposentadoria e, até, produtos de consumo para crises de meia-idade”. Free encyclopedia.In: Wikipedia. [4] “(…) Ron (Inglehart,R. Professor de ciências políticas da Universidade de Chicago em 1967, criador do “pós-materialismo’ e autor da Revolução silenciosa) estava observando o que estava acontecendo durante os anos 70 e foi dali que ele partiu. Ele foi para Paris observar as pessoas nas ruas- jovens, trabalhadores- todos nas ruas protestando. E a previsão dele foi que, ao longo dos anos 40 e 50, à medida que os países emergiram da Segunda Guerra Mundial, em particular a Europa ocidental e as sociedades pós-industriais, havia um sensação básica de que o que, de fato, importava era o materialismo ou, em outras palavras, o crescimento-bens, serviços, moradia melhor, em suma, melhores condições materiais, que tornaram possíveis pensões, serviços de saúde pública etc. Particularmente entre a geração que passou pelas guerras (...) aqueles que sofreram com a Grande Depressão e Recessão, a instabilidade de Hitler, Mussolini e todas as mudanças envolvidas no surgimento do fascismo e a Segunda Guerra, que rompeu drasticamente o curso da vida das pessoas, naquele contexto, elas queriam segurança. Essa era a prioridade deles (...). A geração mais jovem, entretanto, em especial a que viveu os primeiros anos da década de 60 e 70, teve experiências muito diferentes. Eles tomavam como dadas condições de prosperidade econômica”. Pippa Norris (Cultural Backlash) about the legacy of Ron Inglehart. In: The Ezra Klein Show (New York Times). November 1st 2022. Tradução livre [5] “Da geração baby-boomers à pós-millenials-50 anos de mudança” in:www.iberdola.com. [6] Apesar de a metodologia psicanalítica estar me plano movimento durante os anos 30, quando Freud morreu (1939), é possível supor que a compreensão da dinâmica das neuroses também estive em transformação, como se pode observar em Inibição, sintoma e angústia. É razoável também afirmar que psicanálise foi soberana no entendimento dos distúrbios emocionais, mesmo na psiquiatria até os anos 60. No final da década de 60 e durante os anos 70, a corrente de pensamento científico dominante em psiquiatria passa do entendimento da personalidade para o entendimento sindrômico na clínica das psicopatologias, seguindo a tendência trazida com o desenvolvimento da indústria farmacêutica e o avanço do entendimento dos mecanismos de ação dos psicotrópicos.


 
 
 

Comments


Office: 700 Jardim Botânico St. / Room 422

Office Hours: Mon - Fri: 9am - 8pm
 

Email: cecilialeite.costa@gmail.com
 

Cell: +55 21 98887-7502

© 2021-2022 - ​Psychologist Cecília Leite

Obrigada!

bottom of page