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MILLENNIALS-GERAÇÃO Y

  • cecilialeitecosta
  • 23 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

Dando continuidade ao Post anterior, os Milennials são, sobretudo, a geração dos filhos dos Boomers e Geração Jones[1]. Para entender as influências culturais na personalidade dos Millennials é preciso voltar um pouco à juventude Boomer/Jones[2]. A atmosfera era transgressora, esperançosa e socialmente engajada. Naquele momento, amor livre se referia, sobretudo, ao respeito às diversas orientações sexuais (basicamente, respeito aos gays). Naquele cenário, a psicanálise dispunha da teoria central para pensar sobre a personalidade- inclusive foi referência para a psiquiatria até o boom da farmacologia e dos exames de imagem. Grosso modo, como modelo teórico explicativo para designar o que foi chamado de “transtorno mental”- sintomas cuja etiologia fosse desconhecida, ela caiu como uma luva, visto que a origem dos problemas emocionais seria, em última instância, quase sempre um problema de repressão de sexual. Pois bem, a geração que batalhou por igualdades civis e liberdade sexual, criou seus filhos numa atmosfera mais livre e permissiva. A geração X foi mais individualista, focada em carreira e ascensão social- dela surge o termo “workaholic”[3]-, mas havia assimilado as transformações psicossociais. É uma geração essencialmente liberal nos costumes. E a geração de pais Boomers e X? Certamente instituíram novas pautas de referências morais e são mais liberais na criação dos filhos. Quais são as consequências dessas transformações na geração seguinte? A literatura sociológica é mais ou menos consensual na definição dos Millennials[4] como narcisistas e indolentes. Narcisistas porque se mantém focada em valores individuais, como ascensão e performance. Ademais, são a primeira geração a viver os efeitos da transformação tecnológica que, paulatinamente, tornaria mobilidade e conectividade palavrais centrais na definição das sociedades e na percepção que as pessoas têm de si mesmas. É razoável assumir que Millenials tenham vivido o ápice do liberalismo, tanto na esfera privada quanto econômica. Afinal, eles são o resultado das gerações que incorporaram o que Inglehart, R[5] chamou valores pós-materialistas, ou seja, gerações que já assumia como dada a estabilidade social e material e, por conseguinte, cresceu com interesses e aspirações de vida orientados para outro valores: qualidade de vida e valores liberais tais como autonomia, liberdade de expressão de si, fluidez nos papéis familiares, estilos de vida diversos, diversidade sexual e de gênero, etc. Eles são, também, considerados uma geração que “aguenta menos pressão(competição) e são mais condescendentes consigo[6] e que passou a conviver com quadros de estafa mental (burnouts), ansiedades e depressão. Millenials foram, de fato, uma geração que passou a se especializar mais para o Mercado e permaneceu na condição de estudante por mais tempo, seja para estudar para concursos públicos ou para pós-graduações. Sem incorrer em juízos morais que extrapolam os limites e objetivo do ensaio, nosso objetivo é pensar sobre como as transformações culturais geracionais tiveram impacto nas transformações dos indivíduos. Millenials incorporam transformações que já haviam se enraizado em uma nova forma de vida e se estabelecido como normalidade: são genuinamente abertos tanto no que toca às liberdades sexuais, quanto a estilos de vida. E, por fim, apresentam uma marca que também pode, em parte ser considerada produto da mudança cultural: é uma geração que, desde cedo, questiona e vive o que vamos chamar de “era das negociações”.

Continua no próximo Post

[1] Termo usado para se referir à geração que, aproximadamente, nasce entre 1954 e 65. [2] Numa análise focada nas influências culturais é importante salientar que a maior parte dessa literatura é americana. Ainda que seja possível inferir características comuns à sociedades ocidentais, há diferenças no interior das culturas europeias, diferenças entre a cultura europeia e americana do norte, entre a cultura da América do norte e da América do Sul e, especialmente, entre a Cultura Ocidental e Oriental (asiática). Acreditamos que ela seja bastante adequada para descrever a realidade da cultura brasileira de classe media em para cima, i.e, que na época, teve acesso a cultura e estabilidade material, por isso, assumiremos a generalização. [3] www.livescience.com [4] Termo usado para se referir à geração dos nascidos a partir dos anos 80, são chamados de geração Y por ser a seguida à X e conhecidos como Millennials porque seriam a geração dos jovens na virada do milênio [5] Pippa Norris (Cultural Backlash) about the legacy of Ron Inglehart. In: The Ezra Klein Show (New York Times). November 1st 2022. Tradução livre [6] Millennials- generation me. Weekpedia-Free Encyclopedia.

 
 
 

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