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LIMITES E CONTORNO- A DIFERENCA ENTRE REPRESSÃO E CONTENÇÃO

  • cecilialeitecosta
  • 18 de jan. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de jan. de 2023

Dando continuidade ao Post anterior, vamos mudar ligeiramente a perspectiva e focar em uma mudança subjetiva (i.e nas crenças e comportamentos) resultante de mudanças culturais gradativas nos modelos de criação. Como dissemos, dos Millenials em diante, os os pais se tornaram mais flexíveis e abertos ao diálogo[1]. Isso é positivo pois se trata de pais menos repressivos. Isso também contribuiu para o enfraquecimento do antigo universo binário -certo e errado, preto e branco- que marcava a infância no passado. É fato que as crianças de hoje são expostas a milhares de informações que incluem ambivalências e ambiguidades morais bastante avançadas para o seu estágio de desenvolvimento. E é fato que elas têm mais permissão para experimentar e são encorajadas a ser constantemente criativas. Esses são aspectos da criação no mundo contemporâneo.

Por que isso importa?

Para o nosso propósito, isso importa porque é conectado, num certo grau, às novas formas de ansiedade. Par melhor entender a conexão entre contorno, limites e ansiedade, vamos usar algumas metáforas.

1)Imaginem uma pessoa ansiosa como um balão de festa- Quanto mais ansiosa ela fica, mais infla. Ela “pede” ajuda externa, porque não tem controle sobre si própria. Diferentemente de um ato compulsivo, que também pode derivar da ansiedade, mas que seria mais bem caracterizado por situações nas quais o comportamento permissivo acaba vencendo o auto-controle, esse tipo de ansiedade é um estado emocional pervasivo que não cessa[2]. O cessar vem na forma de um “Não” ou de um “limite” do mundo externo. Limite, nesse sentido, funciona como contenção, não como repressão.

Agora, imagine uma criança que não consegue controlar a própria ansiedade e tem pais muito compreensivos. Eles não compreendem por que o filho é assim, já que eles são abertos ao dialogo, se interessam por ele. Depois de algum tempo, essa ex-crianca, agora um púbere/adolescente se torna mais e mais agressivo. Esses pais têm alguns diagnósticos psiquiátricos plausíveis, já tentaram muitas estratégias- psicoterapias e psicotrópicos dentre elas. Nada funciona[3]. Essa é a típica situação na qual os pais podem se ver numa armadilha. Isso porque, a essa altura, já transitaram por sentimentos que vão do medo, culpa à impotência. Não há uma resposta simples para isso, mas distinguir “Não” de “Punição” talvez ajude os pais de alguma forma. Dar limites não é sinônimo de punir. Ao contrário, ajuda as crianças/adolescentes a desenvolverem autocontenção. Obviamente existem muitos exemplos de pais repressores que não estão abertos ao diálogo e que dizem não por dizer não. Não estamos nos referindo a esses casos.

Entretanto, às vezes, um não é necessário e deixa os filhos mais calmos. Isso porque nem tudo na vida é possível e, nesse sentido, a família funciona como uma micro-sociedade, apresentando limites aos filhos. Nesses casos, “não” não é repressão e, sim, proteção.

2) Pensem, agora, em Limite como uma tela de proteção para janelas.

As pessoas que têm gatos ou que conhecem “pais” de gatos sabem que gatos não podem ficar sozinhos num quarto sem tela. Essa é a imagem que queremos oferecer. “Nãos” sem sentido podem ser destrutivos. Não conscientes e firmes são protetivos[4].

Continua no próximo Post

[1] Para maiores detalhes ver Post 6-MIllenials. Geracão Y, in: Influências culturais na formação da identidade. In: www.ceciliapsicolga.org

[2] O termo mais acurado para descrever tais estados emocionais seria angústia. Contudo, com o objetivo de tornar a imagem próxima à que as pessoas têm dos seus estados emocionais cotidiano, tornando mais clara, vamos manter o termo ansiedade e tentar fazer uma distinção entre ansiedades circunstanciais (reais), existenciais e neuróticas. [3] Obviamente essa a um caso fictício com características genéricas e, por razoes éticas, não estamos nos referindo a nenhum caso especifico. [4] Agradeço a minha supervisora Magacho, M., da Escola Paulista de Psicodrama, por essa imagem. Tem me ajudado muito na orientação de pais na clinica.


 
 
 

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